TURMA TACA FOGO
CAPOTAGEM NA PISTA DO ZARAPA - AFA
Já estava se tornando tradição as revendedoras de carros de Pirassunuga cederem um veículo que ficava à disposição dos cadetes da Academia da Força Aérea como forma de propaganda de seus produtos.
Em certa ocasião, no ano de 1975, a revendedora da Dodge levou para a AFA um carro que seria utilizado como "test drive" para os cadetes experimentarem as qualidades do Dodginho, como ficou conhecido.
Pois bem, naquele tempo se encontrava em fase final a construção da pista que seria destinada aos voos da aeronave Uirapuru. No entanto, esta pista ainda não estava sinalizada e, muito menos, disponível para utilização.
No dia qem que o Dodginho foi levado para teste, um dos primeiros "testadores" foi o cadete Muhle, que, "brilhantemente", teve a ideia de utilizar a pista dos Zarapas como local de verificação.
O teste foi realizado ao anoitecer sem nenhum problema, tendo o cadete Muhle se recolhido ao apartamento após isto.
No dia seguinte, houve grande alvoroço na AFA em virtude do Dodginho ter sofrido uma capotagem. É que um dos pilotos seguintes do "test drive", o cadete Djair, da Turma 70, havia perdido o controle do veículo e acabou capotando-o. Felizmente sem nenhum dano grave a qualquer dos ocupantes.
Porém, o então Major Castilhos, Comandante do Corpo de Cadetes, mandou proceder a apuração do ocorrido com o firme propósito de punir o(s) responsável(eis) pela transgressão.
Para a alegria dos envolvidos, o Comandante da AFA, Brigadeiro Pavan, compadeceu-se dos pobres cadetes, tendo encerrado o caso com pequena advertência.
LEITE QUENTE
No período de adaptação em 02/1969, lá pelo 15º dia de instrução, o Capitão pergunta ao pelotão em plena formatura matinal no pátio da Bandeira após o café da manhã:
- Como vocês estão passando? Há alguma coisa que desejem reivindicar?
Nosso brilhante e conhecido colega indaga:
- Capitão, o leite de manhã é muito quente. Não dá para que ele seja mais morno?
Ao que o Cap. retruca :
- Aluno depois dos afazeres do dia passa na minha sala que vou lhe ensinar a soprar
Daí seu apelido ficou sendo..... LEITINHO. Até hoje!
TIRO
Instrução de tiro o Sargento instrutor procedia a sua instrução, realizando sua preleção sobre mandar tiro, mandar pirão.
Neste momento levanta-se nosso colega 69 103 Advan e pergunta ao Sargento:
- Não seria melhor mandar flores?
DESCIDA PARA O RANCHO
Quando o Esquadrão chega ao pátio do rancho o Aluno de Dia, da Turma 67, ordena:
- Todos que possuam dois zeros na tarjeta podem descer para o rancho
Jorge Ferreira se junta aos demais e começa sua descida, quando o Aluno de Dia indaga:
- Ei! Você! Porque está descendo?
Jorge responde.
- Tenho dois zeros na tarjeta, sou o 69 300.
REVISTA NO ALOJAMENTO
O Tenente Chumbinho com sua marca registrada entrava no alojamento do 2º ano para pegar quem estivesse ainda dormindo, e sempre falava:
- “AH! AH! Te peguei. Canta o número!
E isto passou a ser imitado por todos quando ele entrava no alojamento.
Hermes Sauro com a porta do armário em 90° para encobri-lo, ficou arremedando o Chumbinho.
- “AH! AH! Te peguei. AH! AH! Te peguei”.
Neste momento a porta do armário se abre repentinamente a 180° e o Chumbinho fala para o Sauro:
- AH! AH! Te peguei. Canta o número. Sifu!
FUMACEIRO
O 69-050 - Lannes é pego pelos veteranos fumando no pátio da bandeira.
- Bicho você fuma?
O Lannes prontamente responde:
- Não, só estou soltando fumaça.
- AH! é, responde um dos veteranos, então começa a correr pelo pátio soltando fumaça com os braços abertos, pois és da esquadrilha da fumaça e só vais parar quando o cigarro apagar.
ORDENS É ORDENS
Após o almoço o Paracelso comandava a turma D durante o deslocamento para o laboratório de Biologia, no 2º ano.
A turma se deslocava em forma, mas um veterano de 68, vendo a bagunça disse ao Paracelso:
- Chefe de turma, dê alto nessa porra!
Incontineti, Paracelso exclamou:
- Porra. Alto!
Toda a Turma D ficou de LS e o Paracelso foi punido.
UMA GALINHA VOADORA MESMO: BEQUILHA - POR ROCKY
Em uma confraternização de instrutores (IN) , do CFPM ( Centro de Formação de Pilotos Militares ) , em Natal RN , lá por Junho de 1972 , uns IN do 2 Esquadrão ( Esqd ) , de gozação , ofereceram um mascote aos IN do 1 EIA ( Esqd de Instrução Aerea) .
Após tal comemoração ( churrasco ) fui chamado pelo meu então IN , 1 Ten Heinz Gramkow , que juntamente com o Cmt da nossa Esquadrilha (Esqda) TAPUIA , 1 Ten Av Macedo , me disseram ter sido escolhido pra ser o cuidador de nosso novo mascote (?), que eu achei ser um cão , e me apresentaram ao mesmo ... uma galinha preta !
A[i estava a gozação.
O nosso ESQD tinha como símbolo uma águia preta, mas o pessoal do 2 ESQD dizia ser uma galinha preta e assim “doaram” a nossa mascote.
Grande pepino pra mim.
Eu ali, com aquela incumbência de tomar conta de nossa mascote.
Bom, ordens são ordens e como um bom e imbuído Aluno Aviador, me pus a me desincumbir daquela tarefa.
Voltei com a mesma para a sala de briefing, onde obviamente fui alvo de muita gozação.
Primeiro: seu nome? Como era preta, virou BEQUILHA.
Segundo: como conduzi-la? Falei com um dos taifeiros, que serviam no Corpo de Alunos, na Base Oeste, o Cícero, e ele me trouxe uma corrente de papagaio, uma gaiola e um saco de milho.
Onde pernoitar? Arrumei um lugar sob uma das mangueiras, ao lado do nosso alojamento.
No dia seguinte lá estava eu, naquele nosso famoso ônibus “papa-filas”, indo para o Esqd, com a nossa BEQUILHA, para sua estreia como mascote do 1 EIA.
Foi um sucesso, entrando em forma conosco!
Vários IN vieram vê-la e gostaram do “arranjo” da corrente -gaiola
E assim foram os dias.
Íamos para o Esqd e ela ficava bem tranquila em sua gaiola.
Todos a tratavam bem, mas eu não a perdia de vista
Até que surgiu uma nova tarefa: o Ten Gramkow me chama e diz que a BEQUILHA teria que voar e que para isso teria que ter cartão de saúde ... eu que me virasse e providenciasse.
Fui então pro hospital do CFPM.
Lá chegando fui falar com o Médico de Dia, que era o então Cap Rosenelio, gente finíssima ... ainda bem ... pois quando lhe expus o motivo de minha presença e solicitação, fez uma cara de surpresa e riso. Saiu por uns minutos, quando evidentemente ligou para o 1 Esqd e expôs a esdrúxula situação de um aluno querendo cartão de saúde para uma galinha, mas ao saber das razões, deve ter rido muito e veio com o cartão de saúde, assinado!
Fui a Seção de Estatística e providenciei uma caderneta de voo ...
A BEQUILHA poderia voar!
No dia seguinte ela decolou comigo, em um T-23 UIRAPURU, para um circuito fechado de navegação, e se portou super bem.
Passei então a arrumar voos pra ela com outros colegas, que também se divertiam com aquele “tripulante extra”.
Ela voou até jato T-37, só não gostando da puxada de G ... também pudera.
Os meses foram passando e a nossa BEQUILHA fazendo suas horas de voo.
Chegou dezembro de 1976, a nossa formatura como Pilotos Militares e a tão esperada volta para casa
E a BEQUILHA? O que fazer?
Conversei com o Taifeiro Cicero , que sempre me auxiliava a cuidar dela, e lhe expus minha preocupação em não querer vê-la terminar seus dias em alguma panela ... ele foi ótimo e me disse que aquela era uma galinha mesmo especial e que cuidaria dela , em sua casa , com todo o cuidado .
E assim o fez, pois tempos depois tive notícias dela: estava bem, na casa do Cícero, tendo gerado vários pintinhos.
E assim foi a nossa mascote aérea, a nossa BEQUILHA!

PRÉ-CADETE, BAH! -POR NILTON
Em nossos tempos de EPCAR, o horário do rancho tinha um valor especial, afinal, estávamos sempre com fome.
Após a formatura do meio dia, a tropa marchava para o refeitório, e a "descida" seguia uma escala rígida, por ano de turma e, dentro da turma, por uma escala que alternava a ordem das esquadrilhas.
A escala que definia a ordem de descida era afixada no Quadro de Avisos do alojamento, e seguia uma alternância diária. A esquadrilha que descia primeiro, em um dia, seria a última do dia seguinte, e assim por diante.
Em um belo dia em que nossa esquadrilha seria a primeira a descer, por uma "empentelhada" do auxiliar de serviço, responsável pelo primeiro ano, fomos colocados por último na ordem de descida.
Este fato era significativo, porque, além de sermos o último ano a descer, as últimas esquadrilhas já ficavam um tanto prejudicadas no menu do dia, pelo fato de que as melhores comidas eram detonadas pela gula dos predecessores. Assim, o controle da ordem era algo primordial.
Após o almoço, fui conferir a escala de descida para o rancho, e verifiquei que tínhamos sido, de fato, lesados. Em frente ao quadro, encontrei com o Chicão, que também deveria estar checando a falha do pessoal de serviço.
Tomado de indignação, e com uma companhia para desabafar, comecei a cair de pau na "empentelhada" da equipe de serviço, me dirigindo ao Chicão, que concordava em todos os termos.
Foi uma conversa do tipo: "olha só Chicão, era para sermos os primeiros e os "filhos da puta" nos colocaram na "reta", e foi por aí, mais algumas vezes. Porém, em dado momento, observei que o Chicão estava cristalizado, com olhar de paisagem para as minhas costas. Então, como se diz, atualmente, caiu a ficha de que poderíamos estar sendo observados.
Ao virar-me, dei de cara, a uns 20 cm, com o famoso 68 "Mamute".
Apesar de ficar em sentido e já bater uma respeitosa continência, veio a inevitável pergunta mortal:
"Quer dizer que a equipe de serviço é "filha da puta"?
Em se tratando de um flagrante, não tive alternativa - "sim senhor".
Ele proclamou: "venha comigo", e eu achei que estava sendo levado para o paredão de fuzilamento.
Ao longo do caminho, ele fez a gentileza de me apresentar a outros 68 como "um bicho que chamou a equipe de serviço de filha da puta".
A minha certeza de que o meu futuro havia sido cancelado na escola aumentava a cada apresentação.
Desta forma, ele me conduziu ao Aluno de Dia (o manda chuva da equipe), e informou que eu havia chamado a equipe de serviço de "filha da puta".
Neste momento, o 67 ficou horrorizado, e me deixou mais horrorizado ainda. De cara, proclamou: você pode ser desligado por isso.
Meu direito a qualquer minuto de defesa foi absolutamente eliminado.
O referido Aluno de Dia também fez a gentileza de me apresentar à metade da turma do terceiro ano, nos mesmos termos. E, nestas condições, eu fui encaminhado para audiências preliminares, no mesmo dia, com o 01 da escola, e com o Presidente da Sociedade dos Pré-Cadetes. E levei mijadas infindáveis da tarde até à noite. O trauma foi grande. O cara que foi um pouco mais simpático, ou menos carrasco, foi o 67-001.
Mas todos não deixavam de dizer que eu poderia ser desligado por causa deste fato "Mamute".
Comecei até a pensar como seria voltar derrotado para o Rio Grande do Sul.
Daí, obviamente, recebi uma enorme parte do Mamute, e fui chamado para audiência com o Comandante do Primeiro Ano, Cap. Perez.
Ao entrar na sala, tomado de imenso pavor por ter passado uns dois ou três dias imaginando as piores consequências, ouvi do Cap. Perez o relato da parte: "o aluno se dirigiu à equipe de serviço com palavras de baixo calão, está correto?"
Eu, um tanto vacilante, consegui expressar. "Bom capitão, não foi bem assim, eu ..."
Ele me interrompeu e falou: "estava falando bobagem, quando passou o aluno de serviço e ouviu."
Eu falei - "é, mais ou menos assim". Ele completou - LS2, pode ir.
Neste momento, o mundo havia renascido para mim. Nunca fiquei tão feliz por ter sido punido. Quase que eu perguntei: "só isso?", mas me contive, bati continência, meia volta, e sai o mais rápido possível para comemorar.
Na fila, também vítimas do Mamute, estavam o Hilton e o Nelson. Passamos juntos um agradável fim de semana na escola, batendo papo e contando as peculiaridades dos motivos da punição.
Esta foi a minha única punição na carreira, que cumpri com a maior alegria.
Tornei-me um tanto conhecido dos 67, mas depois de pagar uns três ou quatro trotes, eficientemente, passei a ser considerado um "bicho legal", no conceito deles. Busquei um bocado de roupas na lavanderia, e engraxei um bocado de buts e sapatos.
De resto, todo mundo conhecia a fama da praga do Mamute, então, as coisas que vinham dele não surtiam muito efeito. Mas o susto foi grande, e ficou marcado para sempre.
O Chicão, de tão cristalizado que ficou, passou ileso, mas, certamente, meio traumatizado.
CHEFE DE TURMA QUERIDO
Na formação em frente ao refeitório a Turma I estava a espera da chamada para descer para o almoço. O Aluno 69-285-Alves da Silva, era o chefe da turma naquele dia, e o pessoal pra sacanear o "bate-puf", seu apelido, estava na maior esculhambação, quando foi interpelado pelo comandante do dia para que desse um jeito na situação. O chefe da turma pediu, então, para passar para o final do pelotão, e fez ordem unida com a turma por 30 minutos debaixo de um sol de rachar. A Turma I passou o dia todo atrás de dele querendo "matá-lo".

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